Era abril de 2018 quando fui convidada para escrever um artigo sobre a Páscoa para o Gazeta Educação, que seria lido por crianças e adolescentes de Amambai e região. O convite me deixou muito feliz, pois uniu três de algumas paixões que tenho na vida: amo escrever, amo trabalhar com crianças e amo a época da Páscoa, pois a história da vida, morte e ressurreição de Jesus é um acontecimento que me deixa sempre emocionada.
O texto foi muito bem aceito e a partir daí fui convidada a fazer parte do time do Gazeta Educação, escrevendo mensalmente, desde então.
Nestes 7 anos escrevendo para o jornal, tivemos notícias de muitas escolas que utilizaram meus textos e outros artigos do Gazeta Educação em sala de aula, tanto em Amambai como nas cidades vizinhas, incluindo a escola do meu filho mais velho, em Coronel Sapucaia, e outras cidades distantes daqui, pois ao compartilhar os artigos pelo site da Gazeta, o alcance foi ainda maior.
Como toda criança, eu amava ouvir histórias. Nasci e cresci no interior de Minas Gerais, e meus pais sempre contavam e liam histórias para mim e meus irmãos. Além de livros, também ouvia muitos “causos” inventados por minha avó e tias-avós – histórias engraçadas ou assustadoras, mas sempre recheadas de muita imaginação.
Na escola, eu era aquela que vibrava quando a professora pedia para fazermos uma redação. Amava ditados, passava meu tempo livre na biblioteca e tinha coleção de gibis. Quando estava lendo algum livro que eu gostava, ficava triste ao chegar ao fim. Sabe aquela sensação de querer morar dentro da história? Então… era assim que eu me sentia.
Do meu tempo de infância pra cá, muita coisa mudou, afinal já se passaram quatro décadas. Algumas coisas no nosso sistema educacional, a meu ver, perderam a sua qualidade. O nosso estilo de vida mudou, o uso excessivo das telas, aumento da carga horária de trabalho e outros fatores alteraram a rotina de professores, pais e alunos. O hábito da leitura e da escrita tem sido bastante prejudicado. O resultado disso, podemos perceber claramente: a maioria da população alfabetizada tem dificuldades para ler e interpretar textos, mesmo os mais simples. Retomar o hábito da leitura se faz cada vez mais necessário.
É nesse sentido que vejo a relevância do jornal escrito para a nossa comunidade escolar. Temos ouvido relatos de professores que utilizam nossos artigos em sala de aula para trabalhar a questão da interpretação de texto, escrita criativa e até para outras questões como o bullying, as relações familiares, conflitos de gerações e relações interculturais, pois na nossa região residem pessoas de vários estados do Brasil, indígenas e paraguaios.
Neste mês em que comemoramos mais um ano do Gazeta Educação, me sinto feliz e orgulhosa por saber que tenho minha parcela de contribuição. E que através dos meus textos, vidas foram tocadas e inspiradas. Também fico muito feliz ao constatar o esforço e dedicação de professores realmente vocacionados à profissão de educadores.
Meu desejo é ver a qualidade da educação brasileira aumentar a cada dia. Que os professores sejam ouvidos, capacitados e valorizados. E que as famílias e as escolas trabalhem juntas a fim de formar cidadãos críticos, conscientes e de altos valores morais.
Parabéns, Gazeta Educação! Que este trabalho continue sendo um farol a iluminar mentes e corações ávidos pelo saber.
Por: Beatriz Borges