Márcia entrou correndo pela sala com uma mochila nas costas. Era sábado de manhã e sua avó logo chegaria para levá-la a um passeio na chácara dela, onde dormiriam e retornariam no domingo, ao entardecer.
_ Ai, minha avó está demorando tanto!
_ Calma, filha! Você é que se arrumou cedo demais. Enquanto espera, vem me ajudar a dobrar essas roupas, antes de eu começar a adiantar o almoço.
_ Tá bom…
“Pom, pom!!!” – Se ouviu a buzina do carro da avó, que tinha acabado de estacionar lá fora.
_ Deixa que eu abro – disse Márcia.
Dona Amália entrou na sala com seu conhecido sorriso largo e amável, como de costume. Estava usando um vestido rodado florido de fundo azul-lavanda e um chapéu marrom.
_ Quem está animado para o passeio, levante a mão – disse a avó.
_ Eeeeu!!!! Eu estou que não me aguento mais de ansiedade, vovó! Mas antes preciso dizer: como a senhora está bonita!
_ Ah, muito obrigada, minha neta linda! Vem cá me dar um abraço. A gente logo vai sair. Só me deixe sentar um minuto para tomar esse café maravilhoso que a sua mãe faz. E antes que eu me esqueça, eu trouxe uma plaquinha que encomendei na internet, pra você decorar seu quarto. Toma, veja se você gosta.
A placa era muito linda e bem desenhada, com a figura de uma caverna pequena, com uma pedra encostada ao seu lado, deixando a entrada da caverna livre. Logo abaixo estava escrito: “Porque Ele vive, posso crer no amanhã”.
_ Eu gostei sim, vovó. É linda. Só não entendi essa frase. A senhora pode me explicar?
_ Claro, posso sim. Eu comprei para que você pudesse comemorar a chegada da Páscoa, semana que vem.
_ Páscoa? Mas o que essa caverna tem a ver com isso? Eu pensei que Páscoa fosse sobre o coelho e os ovos de chocolate, não é não?
Dona Amália sorriu e disse:
_ Mas você está muito mal informada, menina! Me deixe explicar. Na verdade, a palavra Páscoa vem do hebraico, “pessach”, que significa “passagem”. Para os judeus, a Páscoa é tempo de relembrar a passagem deles pelo Mar Vermelho, quando Deus os libertou da escravidão no Egito, liderados por Moisés. Você já ouviu essa história?
_ Ah… acho que ouvi sim. Mas faz tanto tempo! Me lembro alguma coisa sobre Moisés, que a mãe dele teve que colocá-lo dentro de um cestinho e deixar em um rio, não lembro bem o motivo.
_ Isso, isso mesmo. Ela teve que fazer isso porque o Faraó (Faraó era um cargo e não um nome) do Egito, mandou matar todos os bebês do sexo masculino, para evitar que o povo hebreu continuasse a se multiplicar na terra do Egito. Mas Deus escolheu Moisés para ser a pessoa que iria libertar o seu povo da escravidão.
“Ironicamente”, mas sabemos que foi pela mão de Deus, quem achou o bebezinho no cesto e o criou como seu filho foi justamente a filha de Faraó. E por isso Moisés não só foi poupado da morte, como também foi criado como filho da filha do Faraó. Mais tarde ele se negou a continuar sendo criado como um egípcio e abandonou o palácio para viver com o seu povo, os hebreus. E foi aí que Deus falou com ele e revelou o seu plano para libertar o seu povo da escravidão. A história é bem mais longa e cheia de detalhes. Vale a pena você pegar uma Bíblia e ler mais detalhadamente o livro de Êxodo, que conta tudo exatamente como aconteceu.
_ Nossa, que legal! Muito interessante mesmo. Eu não sabia de nada disso. Tá, mas o que tem a ver essa história com a figura da caverna?
_ Então. Depois desse acontecimento, da saída do povo de Deus do Egito rumo à Terra Prometida, a terra que Deus prometeu que seria deles para sempre, o povo hebreu passou a comemorar todos os anos naquela mesma época. Para agradecer a Deus pelo livramento e para contar aos seus filhos e netos, para que eles não se esquecessem do que Deus fez por eles. Então eles faziam uma grande festa que durava sete dias. E assim eles celebravam em família e uns com os outros e adoravam a Deus juntos pelo que Ele fez.
E foi justamente durante essa comemoração que aconteceu a prisão e a morte de Jesus. Você já ouviu falar de Jesus, né?
_ Sim, claro! Quem nunca ouviu? Acho que até quem não acredita nele conhece a história dele. Impossível não saber.
_ Isso mesmo, a história de Jesus já tem mais de dois mil anos e mesmo assim continua viva até hoje. Então. Foi durante essa comemoração que aconteceu o que hoje chamamos de “Semana Santa”. Vou resumir para você entender:
No domingo Jesus entrou em Jerusalém, onde ficava o Templo. Ele estava montado num jumentinho. Quando as pessoas o viram se aproximar, correram e estenderam ramos de palmeiras e mantos para que ele passasse, como um verdadeiro rei. E gritavam: “Hosana, ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!” Por isso este momento ficou conhecido como “A entrada triunfal” de Jesus, em Jerusalém, e o “Domingo de ramos”.
Na segunda-feira Jesus amaldiçoou uma figueira sem frutos. Sua atitude era uma prévia do juízo que viria sobre Jerusalém, pois Jesus veio primeiro para o seu povo escolhido, os hebreus, e esses não o aceitaram como sendo o Messias, o Salvador, o filho de Deus.
Na terça-feira Jesus foi ao Templo, onde as pessoas iam para adorar a Deus, e encontrou lá pessoas se aproveitando para lucrar com a fé dos outros. Por isso ele ficou extremamente bravo e expulsou os comerciantes de lá.
Na quarta-feira Jesus contou sua última parábola (história), que falava de uns trabalhadores que espancaram e mataram outros trabalhadores e por fim também mataram o filho do seu patrão, que estava fora e por isso havia enviado seu filho para cuidar de sua plantação. Esta história também representava as pessoas que rejeitaram e mataram Jesus, enviado por Deus para nos salvar.
Na quinta-feira Jesus comemorou a Páscoa com os seus discípulos, aquela Páscoa lá do passado, lembra? De quando o povo foi libertado do Egito. Jesus comeu pão e vinho com seus discípulos, que eram seus amigos e andavam com ele, aprendendo seus ensinamentos. Logo depois do jantar ele foi com os discípulos para um jardim para orar, pois ele estava muito angustiado porque sabia de todo o sofrimento que ele iria passar em breve.
Estando ainda no jardim ele foi preso, entregue aos soldados por um de seus discípulos, que o traiu com um beijo no rosto, em troca de trinta moedas de prata.
_ Ah, sim! Esse era o tal do Judas, né?
_ Isso mesmo!
_ Nossa, que sem vergonha, mau-caráter!
_ É, minha querida. Infelizmente nós, os seres humanos temos muitas falhas. Judas se deixou levar pela ganância. Mas se arrependeu amargamente depois. Mas, continuando, depois que foi preso, Jesus passou muito tempo apanhando e sendo humilhado. E na sexta-feira o pregaram numa cruz, onde ele sangrou até a morte.
_ Nossa… eu tinha ouvido falar sobre isso, mas não sabia que tinha sido assim, dessa maneira!
_ Pois é, Márcia. Jesus sofreu muito e foi por amor a nós. Ele poderia ter saído dali a qualquer momento. Ele era muito mais poderoso do que todos. Mas ele se deixou ser levado e preso, pois ele nasceu para cumprir este propósito, de se entregar para nos salvar. O sacrifício dele na cruz nos limpa de todo o nosso pecado. Todo aquele que crê em Jesus e se arrepende dos seus pecados será perdoado e será salvo. É por isso que amo tanto ao meu Jesus! Muitas pessoas não acreditam, mas é porque elas não entendem. Se elas soubessem da verdadeira história, a maioria se arrependeria de seus pecados.
_ Mas e aí, o que aconteceu depois que Jesus foi crucificado?
_ Ah, sim. Vamos lá! Depois que ele morreu, tiraram o corpo dele da cruz e o sepultaram em uma caverna, como aquela da plaquinha que eu te dei. E colocaram uma pedra enorme e pesada para tampar a entrada do túmulo. Precisava de três homens para rolar essa pedra. Isso foi feito para evitar que alguém roubasse o corpo de Jesus e depois inventasse que ele ressuscitou. Assim disseram os que mandaram o crucificar.
Mas, para surpresa deles, no domingo de manhã, quando algumas mulheres foram visitar o túmulo de Jesus, o encontraram aberto e vazio. E ninguém sabia explicar o que tinha acontecido.
_ Será que roubaram mesmo o corpo de Jesus?
_ Não, minha querida! Foi algo muito diferente disso. Jesus realmente ressuscitou e saiu daquele túmulo. E ele apareceu a muitas pessoas, além dos seus discípulos, que puderam testemunhar e comprovar que ele estava vivo. As pessoas falaram com ele, tocaram nele e o viram andando, comendo, bebendo. Não era o espírito dele. Era o seu corpo, de carne e osso. Jesus ainda viveu por algum tempo aqui na Terra antes de voltar para o céu. E quando ele voltou para o céu, seus discípulos o viram subindo e ele disse que iria preparar lugar para aqueles que crerem em seu nome. Mas ele disse que deixaria aqui conosco o Espírito Santo, que estaria sempre conosco, até o fim dos nossos dias na Terra.
_ Uau! Que fantástico!
_ E é demais mesmo. Por isso é que eu fico tão triste quando vejo as pessoas substituindo essa história tão real e verdadeira por uma história fantasiosa de um coelho que bota ovos de chocolate. Nada contra os coelhos e nem contra o chocolate. Mas não posso deixar que uma fantasia ofusque a verdade. Ainda mais uma verdade que pode mudar a nossa história. Pode significar a nossa condenação ou salvação eterna.
_ Condenação? Salvação? Não entendi!
_ Sim, Márcia. A Bíblia diz em Romanos 3:23 “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” E também em Romanos 6:23 “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Isso quer dizer que nós todos merecemos a morte e o inferno, pois nós pecamos, nós nos afastamos de Deus. E quem peca está condenado à morte eterna. Mas Jesus morreu para que tenhamos a chance de mudar isso. O sangue dele nos livra de todo o pecado. A Bíblia diz: “Se com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.”, Romanos 10:9.
_ Eu creio, vovó! No meu coração eu creio que é verdade. Eu quero confessar isso com a minha boca.
_ Que alegria, minha neta – disse dona Amélia – Eu estava orando por este momento há muitos anos! Feche seus olhos pois eu vou te ensinar a orar. Eu vou falar e você vai repetir estas palavras.
E ali, naquela hora, Márcia entendeu o que significava de verdade a Páscoa. E mais importante que isso, ela abriu seu coração para o começo de uma nova história. Uma história que irá ecoar pela eternidade.
E você? Já parou pra pensar no que existe além da nossa vida aqui nesta Terra? Se não… é hora de começar a pensar. O nosso tempo aqui é muito curto. E a eternidade muito longa. Onde você estará?
Feliz Páscoa!
Por: Bia Borges