quinta-feira, 3 de abril de 2025

O Natal do galo Bartimeu

O mês de dezembro chegou, e na Fazenda Capim Dourado, onde mora nosso querido galo Bartimeu, o clima era de correria. Os donos da fazenda e os funcionários estavam a todo vapor organizando tudo para o Natal, a época mais esperada do ano. Os familiares viriam de várias partes do país para passar a noite de Natal na fazenda.

_ Genaro! Você já terminou de capinar o quintal? 

_ Sim, dona Bárbara!

_ Olhe lá, hein? Quero tudo bem bonito antes do dia vinte e dois, que é quando o meu pessoal começa a chegar. Ainda temos muita coisa pra fazer!

_ Positivo, dona Bárbara. Vou deixar tudo ajeitado. A senhora não precisa se preocupar.

            “Preocupação é o sentimento que mais me define!”, pensou dona Bárbara. Ela amava receber visitas, mas queria se assegurar de que tudo ia estar perfeito. Odiava imprevistos e problemas de última hora; mas infelizmente, sabia que alguma coisinha sempre saía fora do planejado.

            Dentro da casa, Odete, a diarista, já havia começado a famosa “faxina de Natal”, onde cada cantinho da casa, cada gaveta e cada armário, tudo, tudo, deveria ser meticulosamente limpo e organizado. Ela era o braço direito de dona Bárbara, e já estava acostumada com aquela histeria natalina. No fim, tudo dava certo. E se ela não conseguisse sozinha, sabia que podia contar com a ajuda de sua filha mais velha, que estava doida para ganhar um dinheiro extra para as compras de fim de ano.

            Enquanto isso, no celeiro, tudo corria na calmaria de sempre, tudo na mesma, exceto pelo burrinho Clemente, que andava triste e pensativo desde que ele havia assistido a um filme de Natal.

            Sim, os donos da fazenda exibiram um filme ao ar livre, numa tela de projeção (na verdade era um grande lençol branco esticado) e um datashow que conseguiram emprestado de uma amiga que morava na cidade. Foi um grande evento. Convidaram os vizinhos das fazendas próximas e as famílias da pequena escola rural daquela região. O filme contava a história de um Papai Noel e suas renas, distribuindo presentes na véspera de Natal, até que um incidente acontece e coloca tudo a perder. É claro que, como todo bom filme de Natal, tudo termina bem, com muita magia e todos felizes para sempre. Menos o burrinho.

            O galo Bartimeu foi o primeiro a notar a mudança no comportamento do amigo.

_ Está tudo bem, Clemente? Você está tão calado… não sai mais do celeiro, há alguma coisa te incomodando?

_ Não é nada não – respondeu o burrinho sem levantar os olhos.

_ Como não é nada? Tem que ser alguma coisa. Você não é assim… você é sempre animado e falante. Pode se abrir comigo, você sabe que em mim você pode confiar. Vamos, me diga o que aconteceu.

_ É…. é besteira. Não se preocupe comigo, você tem outras coisas mais importantes para fazer.

_ Para de bobagem, Clemente. Fala logo. Eu não vou sair de perto de você enquanto eu não souber o que houve.

_ Tá bom, eu falo… já que você não vai me deixar sofrer em paz mesmo. Foi aquele filme… ele me deixou muito triste. Desde aquele dia eu me sinto o mais infeliz dos animais da face da Terra.

_ Mas por que, amigo? Um filme tão bacana! Eu me diverti muito assistindo. Do que você não gostou?

_ O filme é bom, sim. Muito bom. Mas naquele dia eu percebi o quão insignificante eu sou.

_ Como assim? Eu não estou entendendo nada até agora.

_ Oh, Bartimeu! Até parece que o burro aqui é você, ué! Pensa comigo: quais eram os animais mais importantes do filme?

_ Hum… as renas, eu acho. Mas e daí? O que tem isso?

_ Exato. Agora olha pra mim. Eu pareço uma rena?

_ Claro que não. Você parece um burro, com todo o respeito. Mas não há problema nenhum nisso.

_ Ah, não? É porque não é com você – disse Clemente irritado e quase chorando – Olha pra mim! Eu não tenho nada de glamuroso. Eu não sou uma linda e elegante rena que ajuda o Papai Noel a entregar os presentes na noite de Natal. Eu não sou alto e forte igual o lindo cavalo de uma história de amor, eu não sou forte como o leão e nem fofinho e carinhoso como um animal de estimação. Eu sou apenas um burro. Eu não tenho beleza, nem força, nem inteligência, nem nada. 

_ Ah, pare com isso, Clemente! Quem colocou isso na sua cabeça?

_ Ninguém. Eu mesmo sei reconhecer minha insignificância. Talvez esta seja minha maior qualidade. 

_ Oh, Clemente, escute aqui. Aquele filme foi muito bom, as renas são muito lindas e tudo mais, mas deixa eu te contar. Aquilo ali é só ficção. Nada ali é de verdade. Para começar, renas não voam na vida real. Só nos filmes.

_ É mesmo? Tem certeza disso?

_ Sim, claro que tenho. 

_ Mas então como é que o Papai Noel faz pra entregar os presentes na noite de Natal?

_ É aí que vem a segunda “fake news” dessa história. Papai Noel também não existe. É só uma história contada para as crianças para garantir “a magia do Natal”. É só um personagem, não é real.

_ Ah, para. Como é que você sabe disso? Como é que vou ter certeza de que você não está inventando isso?

_ Meu amigo, eu cheguei aqui nessa fazenda muito antes de você. E já ouvi muitas histórias e já vi muita coisa. A história do Natal não é aquela do filme. 

_ Ah não? E qual é então?

_ Senta aí bem confortável nesta palha macia que eu vou te contar. “Há mais de dois mil anos atrás, num país bem longe daqui, uma bondosa jovem recebeu a visita de um anjo. Ela levou um susto, mas ele logo disse:

            _ Maria, não tenha medo! Você foi escolhida por Deus para gerar o filho dele. Ele trará a salvação para este mundo cheio de trevas.”

_ É verdade isso, Bartimeu? Você não está inventando?

_ É verdade sim, Clemente, está escrito num livro muito especial e antigo que se chama Bíblia. Está tudo escrito lá. Agora deixa eu continuar:

            “O bebê foi gerado de uma forma milagrosa, sem que Maria tivesse se relacionado com homem algum. Ela era noiva de um homem muito íntegro, chamado José. E um anjo também apareceu pra ele explicando tudo o que aconteceria. Maria aceitou sua missão de mãe do salvador e José aceitou a sua missão de amar e proteger sua família que estava se formando.

            Naqueles dias as pessoas tiveram que sair de suas casas e voltar ao seu lugar de nascimento para registrar seus nomes pois seria feita uma contagem da população. Maria já estava em estágio avançado de sua gravidez, mas mesmo assim, ela precisava ir.

            E olhe só, naquele tempo não tinha carros, nem ônibus, nem avião, nem mesmo moto ou bicicleta. E sabe qual foi o transporte deles? Um burrinho!!!”

_ Você tá de brincadeira comigo, Bartimeu. Você está falando isso só pra me consolar.

_ Não estou não, Clemente. Eu te juro! É a mais pura e maravilhosa verdade. Escuta o resto:

“Maria viajou em cima do burrinho até a cidade onde José havia nascido e quando chegou lá, não tinha mais hospedagem vaga em lugar nenhum, pois a cidade estava muito cheia. Foi então que um homem ofereceu a eles o único lugar que restou em sua casa: o celeiro, onde dormiam os animais. E foi ali que eles arrumaram suas coisas e o bebê mais especial do mundo nasceu, o bebê chamado Jesus.”

_ Jesus? Ah, eu já ouvi falar nesse nome!!! Já ouvi muitas histórias, ele é muito especial mesmo! Conta mais, por favor!

_ Então, “E quando ele nasceu, o colocaram em um bercinho improvisado, o colocaram no cocho onde os animais comiam, um singelo berço de palha.

            Naquela noite uma estrela enorme brilhou sobre eles, guiando alguns magos que vieram conhecer e adorar o filho de Deus. Um coral de anjos cantou ‘Glórias a Deus nas alturas e paz na terra aos homens a quem ele quer bem!’ e sabe quem presenciou tudo isso, ao vivo? Não foi uma elegante rena voadora. Foi um simples e humilde burrinho, assim como você. E pensando nisso, eu fico até com inveja daquele animal, pois eu é que queria ter presenciado tamanho acontecimento!

Naquela noite e nos próximos dias, meses e anos, aquela família presenciou vários milagres, até que ele mesmo, o próprio Jesus, começou também a espalhar a boa notícia da salvação e também fez muitos outros milagres. Jesus veio ao mundo para trazer perdão para os pecados e salvação para todos os que crerem nele. Isso já é sobre a Páscoa. Mas a história do Natal é esta, o dia em que paramos para lembrar e agradecer a Deus pela vinda do filho dele, Jesus, ao mundo. Papai Noel é só uma “historinha”, um conto de fadas. Jesus sim, é A HISTÓRIA. A maior e mais linda história de todas.”

_ Uaaau, Bartimeu!!!! Isso sim é uma boa notícia, hein? Você conseguiu me deixar muito feliz por ser um burrinho. Eu não sou “um simples burrinho”, eu sou descendente de um animal que participou e testemunhou o acontecimento mais importante de todos, o nascimento de Jesus. Muito obrigado por me contar isso.

_ É isso mesmo, Clemente. Não se esqueça nunca disso. Agora me dê licença que eu tenho que fazer meus exercícios vocais. Estou me preparando para o dia de Natal. Quando amanhecer eu quero soltar o canto mais bonito que essa fazenda já ouviu. Eu tenho orgulho de anunciar que este maravilhoso dia chegou. Até mais, Clemente!

_ Até mais, Barnabé.

E assim se encerrou mais um dia naquela bela fazenda… e quando a noite chegou, Clemente dormiu feliz e tranquilo, pensando naquela noite especial em Belém… noite de paz… noite de amor….

Feliz Natal!!!

Por: Bia Borges

O Natal do galo Bartimeu

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