O Instituto Eduardo Dutra Lescano é uma instituição filantrópica que leva o nome do meu filho mais velho. Um projeto que nasceu no meu coração e de meus familiares no momento em que eu passava pela pior dor que uma mãe pode sentir: A PARTIDA PRECOCE DE UM FILHO MUITO AMADO.
Vivenciei o luto de perto em agosto de 2012, quando Eduardo sofreu um trágico acidente automobilístico, no dia 08, e após passar 8 dias em um leito de UTI e lutar bravamente pela vida, veio a óbito. Em meio ao luto profundo, as incansáveis perguntas sem nenhuma resposta, as incertezas de como seria minha vida sem meu filho, me vi também cercada de cuidados dos amigos, dos familiares, recebendo um carinho enorme da comunidade amambaiense, além de suporte psicológico e medicamentos. Nada alivia a dor da alma. A dor da profunda saudade e incertezas de como seria nossa vida sem ele. Só tinha a certeza que mais ainda eu estava na dependência do nosso bondoso Deus e sinceramente clamava a Ele para que fizesse qualquer coisa que aliviasse aquele sentimento.
Também foi nesse período que o professor de violão do Eduardo me sugeriu juntarmos seus amigos, ensaiarmos algumas músicas que ele gostava e apresentarmos à sociedade. Uma forma de retribuir o carinho que tiveram com minha família e também homenageá-lo. Confesso que na hora achei estranho, pois não sabia como seus amigos reagiriam ao convite, tão pouco se nossa sociedade ia entender o propósito do nosso gesto. Após esse convite, comecei a pensar em como outras mães enfrentavam o luto sem os suportes que minha família me proporcionava, e no tamanho da dor e das dificuldades dessas outras mães, que haviam passado pela mesma dor que eu. Fora isso, tinha em casa minhas duas filhas, Izadora e Rafaela, que ainda sofriam amargamente a partida do irmão.
A partir dessa ideia do professor e pensamentos voltados a outras pessoas que também sofriam com o luto, conversei com meu esposo, familiares e amigas mais próximas sobre a possibilidade de fundarmos uma instituição que levasse seu nome e desse amparo a pessoas que haviam passado pelo luto; e foi aí que em dezembro de 2012 fundamos o INSTITUTO EDUARDO DUTRA LESCANO.
Nesses 12 anos de fundação, o IEDL já atendeu centenas de crianças, adolescentes e mulheres que passaram pelo luto. Por quanta luta passamos ao conhecer sempre histórias novas, cada uma com sua particularidade e nenhuma menos importante que a outra. Posso dizer que encontrei a forma de transformar uma dor dilaceradora em amor ao próximo. É proporcionando uma forma de amenizar a dor das pessoas através do canto, da dança, do teatro, do esporte, que vivencio os sonhos que o Duh tinha em seu coração; o que não posso oferecer a ele, posso ajudar outros a realizarem.
Com a graça de Deus mantemos nossas ações, com ajuda da Prefeitura Municipal de Amambai e da população amambaiense, que tanto nos apóia. Hoje atendemos mais de 25 mulheres semanalmente, no grupo LAÇOS DE AMOR ETERNO, formado por mães que passaram ou estão passando pelo luto. O grupo tem uma psicóloga disponível, onde, além de terem terapia ocupacional, fazem hidroginástica, realizam aulas de pintura, tricô, crochê, bordado, costura e customização. Todas as atividades são feitas em rodas de conversas e com dinâmicas diferenciadas, assim, essas mães conseguem relatar suas aflições e experiências vividas com o luto. No grupo há momentos de socialização entre as participantes, que descontraem tendo melhora comportamental e social, resultando em uma qualidade de vida melhor. Com o tempo, compreendem que jamais se esquecerão dos entes queridos, mas é possível sim lembrarmos e falarmos deles sem sentir dor. Dizemos que luto compartilhado é dor amenizada e podemos comprovar isso com o tempo, e juntas superamos nossos momentos de tristeza.
Nossa instituição proporciona aulas de canto, violão, teatro, balé, artesanato, judô, escolinha de futebol masculino e feminino a crianças e adolescentes. Além de tudo, temos o privilégio de falarmos do amor de Deus, dos cuidados que Ele tem para conosco e que independente da situação, há um caminho, e Ele nos ajuda, basta buscarmos. Além de acolhê-los, conseguimos proporcionar interação entre eles, para que possam expressar seus sentimentos através da arte, da dança, vivenciar e conhecer outras culturas. Nesse período, muitas vezes são descobertos talentos musicais que são benéficos na vida futura dos participantes, bem como jogadores, que ao se destacam dentre os demais, têm a possibilidade de mostrar seu talento em outras cidades e estados.
Já se passaram 12 anos e 9 meses de trabalho duro e cheio de propósitos. E para honra e glória do Senhor, já estamos colhendo frutos desse projeto, plantado no meu coração em meio ao luto. Além de uma legião de novos amigos, tenho o privilégio de a cada ano conhecer novas histórias, acolher pessoas que encontram no IEDL a oportunidade de realizar um sonho como fazer balé, encenar, cantar, jogar; ou que encontram em nossa instituição o alento de que tanto necessitavam. O mais incrível é conviver com crianças que há mais de 7, 8, 9 anos fazem parte da nossa história, primeiro como atendidos e agora como voluntários, e têm o ensejo de acolher outras pessoas, que assim como eles foram carinhosamente acolhidos pelo IEDL um dia. Poder ouvir o testemunho de pais sobre como as crianças melhoraram na escola e em casa é um impulso para seguir em frente, independente das circunstâncias. Ouço testemunhos dos benefícios que o instituo trouxe a muitas crianças que participaram dos nossos projetos, e confesso que todos são motivadores; são histórias de superação, mudanças na forma de pensar e tomar decisões, baseadas em algo que o IEDL pôde ensiná-los. Uma vida completamente diferente após vivenciar o luto, uma tomada de decisão com um propósito de ajudar as pessoas me enche de orgulho e aquieta minha alma em muitas situações. Vale muito cada minuto da minha vida dedicado ao IED.
Por: Marilene Silveira Dutra (Fofa)
Professora Pedagoga
Presidente Fundadora do IEDL
Empreendedora Social desde 2012